quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Rapidinhas no MaDame: Late Bloomers - O Amor não tem fim (2011)


Rapidinhas no Madame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Sobre a história: Mary (Isabella Rosellini) e Adam (William Hurt) são casados há mais de 30 anos e estão avançando na terceira idade, tendo que lidar com novas experiências, sentimentos e realidades da passagem do tempo. Ingressam em uma separação e cada um segue o seu rumo, reagindo de diferentes maneiras à velhice. Ele aceita menos, age como um jovem e investe tempo em ter dinheiro na profissão. Ela aceita um pouco mais, vê que não tem mais o mesmo viço da juventude e surgem as aparentes perdas de memória.

Opinião Geral sobre o filme: Dirigido por Julie Gavras (de A Culpa é de Fidel), o longa é uma comédia dramática sobre a velhice de um casal, um tema muito interessante e contemporâneo e, infelizmente, pouco aprofundado no roteiro. O script trabalha com situações cotidianas como a perda da autoestima e da memória, o desafio de manter o casamento e provar que o amor ainda existe, os flertes e casos extraconjugais, a intervenção dos filhos que não sabem como lidar com pais idosos, o sentimento de transitoriedade da vida e do fracasso após anos de trabalho, a negação do envelhecimento. Ele recorre às velhas fórmulas comuns que surgem com a velhice como, por exemplo, Adam que não aceita a passagem do tempo, começa se vestir como um jovem de 25 anos, envolve-se com uma mulher que tem idade para ser sua filha. Embora situações como essa possam acontecer, o filme tem na narrativa esses exemplos estereotipados que empobrecem a dramédia e que desperdiçam talentos como Rossellini e Hurt. Além do mais, ao desfecho, fica a impressão que a intenção dos realizadores foi recortar várias situações do dia a dia que surgem com a velhice e expô-las, não necessariamente, trabalhar um roteiro mais conciso e sólido para contar uma história de um casal que envelhece, com uma evolução dramática que joga o espectador a prever a experiência de envelhecer. Seria mais válido e bem vindo uma forma diferente de tratar a velhice, em um apelo mais existencial e com um roteiro desenvolvido a partir dessas contradições da passagem do tempo. Existem méritos também; o filme é mais convidativo somente por conta do casal de protagonistas cuja experiência e química elevam o longa para uma melhor categoria. Rossellini tem carisma, beleza natural e articula bem o drama com a comédia, preenchendo a tela com sua preciosa versatilidade. Hurt é mais concentrado em um personagem mais racional, sério e dramático e, igualmente, agrega valor a cada cena, até as mais estereotipadas. No geral, o filme proporciona um momento para pensar um pouco na velhice, que é inevitável a todos que sobrevivem até essa fase.


O prazer: Isabella Rossellini e William Hurt


O desprazer: Um roteiro que nasce de uma ótima ideia sobre velhice e não sabe como desenvolvê-la em melhor completude dramática tal que as emoções genuínas do envelhecimento fossem catalisadas na Tela Grande.


Por que vale a rapidinha? Pelo prazer de ver Rossellini e Hurt juntos em cena.


Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse ImdB

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes) - 2011




Planeta dos Macacos : A origem, sob a direção de Rupert Wyatt, marca o retorno da clássica franquia dos símios com uma roupagem mais mainstream, moderna. É um filme politicamente correto com uma bela lição de moral, pautada na escolha pela liberdade, o encontro do lar. Isso não chega a ser um problema, porém fica claro que a intenção do diretor não foi resgatar os primórdios da franquia desde Charles Heston e sim contar uma bonita história trazendo alguns elementos éticos importantes na questão a ciência - o primitivo. O resultado é muito bom, maduro a ponto do roteiro evoluir fluído e dramaticamente com o desenrolar da história, portanto, é um blockbuster que deve ser conferido e que tem de tudo para ganhar a estatueta de melhores efeitos visuais no Oscar 2012 que se aproxima. Na história, Caesar (Andy Serkis) é um chimpanzé que, após perder a mãe em uma experiência de laboratório, é criado por uma família de humanos, o cientista Will Roadman (James Franco) e seu pai Charles (John Lithgow) que sofre de uma doença degenerativa, o Mal de Alzheimer. Caesar desenvolve uma inteligência excepcional, porém, por um infortúnio, acaba ficando longe da família Roadman e é preso com outros macacos em um terrível centro de reclusão. A partir daí, ele liderará o seu grupo em uma luta pela liberdade, contra a exploração e o abuso.




O longa é um ótimo blockbuster que traz 5 qualidades bem harmônicas em sua narrativa e técnica: bom roteiro, excelentes efeitos visuais, uma emocionante temática sobre a liberdade e contra o abuso de animais, uma tensão entre homens e macacos, a opinião ética entre ciência e a natureza primitiva. Com esses cinco pilares, um bem estruturado roteiro, uma direção na qual prevalece as ricas sutilezas do visual que traz emoção e uma dose de afeto, que é evocado pela relação dos Roadman e Caesar, a película é cativante e, no seu desfecho, desmonta em lágrimas o espectador mais sensível. De maneira geral, a história de Caesar é triste e inspiradora. Triste porque foi criado como orfão, fora de seu habitat e em uma família humana que, ao mesmo tempo que o ama, também têm interesses bem particulares pois Caesar é uma cobaia para Will que procura testar uma nova droga e curar a doença incapacitante de seu pai. Nesse aspecto, o filme já divide as emoções do espectador que vai desejar a liberdade de Caesar e a cura de Charles. Por outro lado, a inspiração advém da luta contra a exploração e abuso contra os símios. Eles são inteligentes e, portanto, merecem reinvindicar às suas liberdades individuais e coletivas. Ao estar enjaulados, o filme trabalha muito bem como são prisioneiros, mal tratados e aquém da raça humana, usados comercialmente para atender interessses de grandes corporações científicas. A figura de atitude de líder de Caesar vem a inspirar e abrir caminho para essa liberdade, um direito que vai além do filme e ganha o espectador por mostrar que todos podem escolher e lutar pela liberdade. Nisso está o livre-arbítrio.



Convém ressaltar que Planeta dos Macacos sem esse Caesar não seria o mesmo, ou seja, Andy Serkis é um ponto alto do filme. A expressiva atuação do talentoso e dedicado ator que, desde o Gollum (O Senhor dos Anéis), tem o dom de interpretar personagens digitais via motion-capture é um deleite. Caesar é todo trabalhado em pixels que o tornam um magnífico trabalho visual. Sua atuação rende à fita um realismo impressionante de como o macaco se sente em sua jornada de perdas, adversidades e superações, desde as sutis atitudes de estratégia e liderança até os expressivos olhares de distintas emoções. Destaque também para James Franco, em um papel equilibrado entre a razão e a emoção do cientista e, principalmente, para John Lithgow em uma atuação curta, porém impregnada de sensibilidade e maturidade. Seu estado frágil e instável perante a enfermidade vem a dividir eticamente a opinião do espectador, pois afinal, também se deseja a cura de uma doença para um ente querido, mas a sociedade sabe que, na ciência, muitos animais são usados como cobaias e sacrificados para experimentos.


Esse é um conflito gerado pela dicotomia ciência - natureza, razão - emoção e que, no filme, não passa desapercebido por isso que o longa é uma ótima diversão com reflexão. Indiretamente, ainda que o filme não tenha um propósito militante de levantar bandeiras, outras reflexões são inevitáveis e também virão após a sessão como: o que é afinal evoluir para o homem? Perder a liberdade? Fazer com que outros seres sejam sacrificados e percam essa liberdade? Oprimir para seguir com interesses financeiros e nada coletivos? E a evolução moral, onde fica? Será que o homem evoluiu em sua liberdade , a sua e a do outro, ou continua minando sua própria evolução?


Avaliação MaDame Lumière




Informações sobre o filme, acesse ImdB

Os premiados do II Prêmio Kino Brasil - O Prêmio do Cinema Brasileiro


Nesse mês saiu o resultado do Prêmio Kino Brasil, com o melhor do Cinema Brasileiro selecionado por jurí acadêmico e popular. O Prêmio tem como diferencial o reconhecimento do Cinema Nacional por acadêmicos que são blogueiros especializados, em uma escolha mais justa, plural e bem embasada em quem realmente ama e consome Cinema de qualidade. Nesse prêmio, Madame Lumière agradece imensamente pelo convite para fazer parte da Academia, o que é uma honra, e prestigia os votantes e o público pelas excelentes escolhas, assim como os vencedores.

Com esse resultado, excelentes realizações no Cinema Nacional foram reconhecidas como finalistas e/ou premiados, como O Palhaço, Riscado, Trabalhar Cansa, Amor?, VIPS, Bróder, entre outros, demonstrando claramente o nível de qualidade das produções Brasileiras e como os amantes do Cinema as aprovaram. Confira o resultado acessando a home page do Kino Brasil.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Rapidinhas no MaDame: As Aventuras de TinTin: O Segredo do Licorne ( The Adventures of TinTin) - 2011




Rapidinhas no Madame:

Porque o que importa é o prazer da Cinefilia



Sobre a história: O reporter Tintin (Jamie Bell) e o capitão Haddock (Andy Serkis) partem em uma aventura em busca de um tesouro deixado pelos ancestrais de Haddock. Para encontrá-lo e desvendar o segredo do Licorne que o cerca, terão que enfrentar a vilania de Rackham (Daniel Craig) que tem contas antigas a acertar com o capitão.


Opinião Geral sobre o filme: É uma animação produzida por dois gênios, Steven Spielberg e Peter Jackson, em uma parceria que demonstra que ambos têm um trabalho impecável para trabalhar com efeitos especiais e conteúdo cinematográfico de aventuras em grandes produções. Sem dúvidas, o ponto forte do filme são suas virtudes técnicas em um trabalho de animação muito bem projetado e finalizado, absolutamente minucioso na perfeição do realismo dos personagems na tela grande. As peripécias acrobáticas da jornada de Tintin e Raddock em termos de animação são fantásticas, o que prova que o longa é um exemplo de especial homenagem a um personagem carismático dos quadrinhos de Hergé que ganha vida no Cinema. Porém, nem tudo é perfeito e, embora o filme seja esteticamente impecável , o roteiro deixa bastante a desejar e não apreende a atenção como uma história envolvente, cheia de mistério e reviravoltas. Tal fato só demonstra que tecnologia e criatividade em animação não funcionam para atingir 100% de primor cinematográfico sem uma cativante e emocionante história. Ainda assim, As Aventuras de Tintin é uma excelente diversão para toda a família e deve agradar os fãs do adorado heroi.



O prazer: A estética visual com um incrível trabalho de animação que entretém e fascina. O expectador se sentirá parte do mundo Tintin, primoroso como Arte em animação.


O desprazer: A história em si é muito regular e pouco inovativa, sem muita profundidade narrativa convertida em ações que realmente façam diferença para a relação afetiva do espectador com TinTin, além do mais, o personagem de TinTin não tem carisma no filme, nada que efetivamente o conecte emocionalmente com um espectador que não seja fã dele desde os quadrinhos, portanto é mais fácil gostar do cachorrinho dele e dar risada com o capitão Haddock e sua devoção pela cachaça. Mais adiante, em um ponto da projeção da animação, o expectador mais atento e exigente se perguntará se a história é só aquilo mesmo.


Por que vale a rapidinha? É uma animação fascinante do ponto de vista estético e criativo e que deve ser analisada e desfrutada em sua beleza. É o tipo de longa que faz o público ver como há pessoas inteligentes, inovativas e perfeccionistas em Hollywood e porque eles sabem fazer animação a um nível de excelência impressionante.

Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse ImdB

Rapidinhas no MaDame: Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows) - 2011



Rapidinhas no Madame:

Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Sobre a história: O detetive Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) enfrenta o seu inimigo Moriarty (Jarred Harris) que está disposto a iniciar uma guerra mundial em um maquiavélico jogo de sombras e nenhuma consciência. Nessa jornada de ação e suspense, acompanham o detetive o seu leal amigo Dr. Watson (Jude Law), a misteriosa cigana (Noomi Rapace) e o seu brilhante irmão Mycroft Holmes (Stephen Fry). Cabe a Sherlock Holmes deter o professor Moriarty e revelar a sombria mente do seu rival.

Opinião Geral sobre o filme: O duelo entre Sherlock Holmes e uma mente perversa e genial como o vilão Moriarty é o diferencial da película, exigindo que o detetive lide com sua própria paranóia e com um inimigo frio e calculista que não mede esforços para iniciar uma fatal guerra. Essa tensão entre ambos, que demonstra que Sherlock Holmes também é um heroi falho torna a vilania de Moriarty mais degustável. A direção de Guy Ritchie tem um frescor diferenciado, com uma bela direção de Arte e de atores que formam um ótimo elenco, virtudes que já haviam ficado bem evidentes no filme antecessor. O cineasta conduz a direção de forma dinâmica, refinada e abusa dos efeitos especiais em um roteiro que prima por bons e inteligentes diálogos, mas que peca por explicar demais cada detalhe do embate entre os inimigos. O senso de humor entre Sherlock e Watson e sua amizade garantem divertidos momentos e, no geral, embora não seja superior ao primeiro filme, o longa mantém a qualidade cinematográfica da franquia como um imperdível blockbuster.


O prazer: Um roteiro que inclui um vilão tão bom quanto Sherlock Holmes torna o jogo mais dinâmico, inteligente e assombroso. Além disso, para um blockbuster, o elenco é muito bom e eleva o longa a uma categoria diferenciada de filmes endinheirados nos quais cada ator dá um toque especial no peso interpretativo, e não somente o protagonista.


O desprazer: É um filme que poderia trabalhar mais com o mistério e suspense do personagem literário, sem dar muitas explicações no texto. No mais, abusa-se bastante de efeitos especiais que, em um plano ou outro, poderiam ser descartados para dar mais naturalidade orgânica e física ao filme.


Por que vale a rapidinha? É uma franquia que, nas mãos do cineasta Guy Ritchie, vira ouro. Há uma atmosfera obscura e elegante, mesmo nos buracos frequentados por Sherlock Holmes, há humor, ação, suspense, empatia, etc , o que apreende a atenção do expectador que só quer um bom entretenimento.




Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse Imdb

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MaDame Teen: Tudo por uma esmeralda (Romancing the Stone) - 1984






Antes de conquistar o Oscar em 1995 como melhor diretor pelo sublime Forrest Gump: O Contador de Histórias, Robert Zemeckis já era especial para a minha memória cinéfila desde seus filmes da década de 80, quando ficou muito conhecido por Tudo por uma Esmeralda e a trilogia De volta para o futuro. Quando Michael Douglas decidiu produzir Tudo por uma esmeralda, fazendo par romântico com Kathleen Turner, ele convidou o cineasta para fazer o filme, o que já foi uma première do talento de Robert em dirigir longas aventurescos que marcariam a adolescência de várias pessoas como eu. Se Spielberg, seu amigo e produtor em De Volta para o Futuro, era o cineasta das películas de Indiana Jones que tanto me conquistavam, Robert Zemeckis não ficava atrás e realizou essa nostálgica aventura em terras Colombianas, com senso de humor, ação e romance.








Tudo por uma esmeralda era um best-seller na minha filmografia adolescente das sessões da tarde. Era aquele filme que eu assisti váriaas vezes, na sequência ou na semana. Recordo-me que adorava ver Kathleen Turner no papel da escritora Joan Wilder, cuja obra literária sairia dos livros para se tornar realidade através de um caso de amor com um nômade desconhecido. Ela era como uma mulher independente e sonhadora que um dia amaria intensamente, da forma que todas as mulheres desejavam amar. Lembro-me que ela ficava sonhando com o seu heroi corajoso e desbravador que a levaria a lugares longíquos e a salvaria de armadilhas perigosas. Nasceria o amor entre eles, a excitante paixão ganharia força através do olhar penetrante e do calor da pele. Ela o conheceria da forma mais inusitada e necessária possível: como um misterioso homem a encantá-la e a protegê-la. Era muito divertido assistir à atriz nas cenas iniciais da película, na qual ela é uma solteirona que trata o gato como se fosse o único amor da vida dela. Ao assistir ao filme nessa década, ele se torna mais engraçado ao vê-la colocando velas como que preparando um jantar a dois, só que para alimentar o seu gato. Essa cena é tão atemporal que recorre aquele gracioso e trágico estereotipo que, na falta de um namorado ou um marido, as mulheres tendem a se apegar a um animal de estimação.






Essa aventura é simples e bacana porque tudo começa quando Joan Wilder tenta salvar a sua irmã na Colômbia, que está sendo chantageada por ter um mapa do tesouro que leva à bela e rara Esmeralda. Preocupada com a irmã e corajosa o suficiente para trazer emoção à sua vida, Joan é como uma heroína comum que saí do sossego da sua casa para se aventurar no meio da mata. Ao chegar à Colômbia, conhece Jack Colton (Michael Douglas), que a salva e o contrata como guia para tirá-la daquela região deserta e perigosa e conseguir encontrar a irmã. É muito interessante como o filme é uma aventura em um país Latino, que das páginas da Literatura ganha realismo nas telas, com muitos momentos de riso e romance. Ao ler um livro, as pessoas tendem a criar esse imaginário em lugares tropicais, silvestres, primitivos. O filme apresenta tudo isso como uma mescla de romance, comédia e aventura e a fórmula funciona muito bem, tanto que foi um sucesso na época e deixou saudades.











Para obter esse sucesso, o casal de protagonistas é crível e tem ótima química. A combinação entre eles era tão incrível que ganhou os corações dos espectadores até fora das telas, basta ver as fotos antigas. Michael Douglas não tinha sua imagem tão relacionada a um viciado em sexo e Kathleen Turner ainda tinha o frescor da juventude, naturalmente belo. No longa, Turner não faz o tipo 'mulher desesperada procura homem que a queira', pelo contrário, ela é corajosa, criativa e carismática e o relacionamento amoroso é conduzido de uma forma do 'simplesmente aconteceu' e com o homem mais improvável, sem casa e sem dinheiro, que é conquistado por ela, deixando o orgulho e machismo de lado. O local para conhecer um novo romance é também muito improvável, pois qual a mulher que gostaria de conhecer o amor de sua vida suja de lama, perdida e correndo risco de vida em uma mata densa e úmida na Colômbia, no entanto, o emocionante da história é contar que nem todo romance acontece em condições premeditadas e perfeitas, em um restaurante ou encontro às cegas. Nesse ponto, o roteiro funciona muito bem como um híbrido de ficção e realidade pois, se as aventuras de busca a um tesouro e fuga de um general mortal parecem uma jornada que só se vê em um filme, por outro lado, essa química, versátil e acrobática entre Turner e Douglas é deliciosa de ver ao ponto de dizer: "Quero vê-los felizes e com a esmeralda no final". A torcida para o Amor é tanta que, uma das cenas mais bonitas é a dança do casal em uma festa no hotel. Ambos vestidos de branco, como noivos, Turner está fascinante, com um brilho nos olhos de mulher entregue ao amor, e Douglas parece um Don Juan Latino, com sorriso abobado e cara de segundas intenções. Assistir ao longa é como reviver essas facetas de Uma aventura na África, um homem e uma mulher em uma louca aventura em terras selvagens, com uma roupagem bem anos 80 com cara de Zemeckis e Spielberg.





Os coadjuvantes contribuem para prover tensão e ritmo ao longa, pois são o time de vilões que perseguem o casal. Danny de Vito é Ralph, um atrapalhado comparsa do sequestrador de Elaine, irmã de Joan. Ele só se dá mal e é um dos personagens mais divertidos, só reforçando como De Vito era famoso na década de 80 como o baixinho com humor peculiar e que faria uma boa parceria com Michael Douglas e Kathleen Turner no vindouro A Jóia do Nilo (1985). Manuel Ojeda é o outro vilão, de caricatura ditatorial e latina, o que cria a imagem de um guerrilheiro frio e calculista que conhece as terras perigosas da Colômbia como ninguém. No geral, o ritmo do filme é muito bom para a proposta e consegue unir todos esses elementos em um entretenimento descontraído e ligeiramente despretensioso.



Tudo por uma esmeralda é diversão garantia e tem o seu valor saudosista, tem os seus méritos como obra, tanto que ganhou o Globo de Ouro de melhor filme comédia/musical em 85, assim como o de melhor atriz para Kathleen Turner. Dá uma nostalgia lembrar dele, muita mesmo, como voltar ao tempo e sentir a emoção sonhadora de como havia várias possibilidades de aventura na vida adulta. O sentimento da memória do Cinema é um dos mais gostosos de levar para o cotidiano, para aliviar os problemas da vida, afinal, a vida é uma jóia bem mais preciosa que uma Esmeralda.







Avaliação MaDame Lumière





Título original: Romancing the stone


Ano: 1934


País: USA


Roteiro: Robert Zemeckis


Diretor: Robert Zemeckis


Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny de Vito, Miguel Ojeda

MaDame Retrospectiva : Top 5 Filmes Mico 2011 - Cinema Nacional

Que mico!



O maior mico para um produtor, roteirista, diretor e equipe é perder tempo e energia em realizar um longa que nitidamente é um filme ruim. Será que em momento algum da produção se percebeu isso? Não é necessário nem ser especialista em Cinema para observar quando um filme não tem uma razão de ser e, quando se deseja contar uma história, não o faz de uma forma, no mínimo, inteligente, autêntica, fluída e que sirva de aprendizado ou genuína emoção para as plateias. Cabe aí o bom senso se vale a pena a produção buscar investimentos para um filme ruim, capitalizá-lo para que, afinal? E por quê o diretor não filtra o roteiro ruim ou faz uma autoanálise se é o momento certo para dirigir um filme mico ou se tem condições de torná-lo melhor do que ele se propõe? Nessas horas, o bom cinéfilo pensa: "Por que gastou-se tanto tempo, dinheiro e esforços de uma equipe para produzir algo que não dignifica o próprio valor do Cinema", uma Arte que entra na vida do espectador, faz com que ele aguarde a estreia, compre o ingresso, alugue o filme e afins. O filme mico pode até fazer o espectador derramar uma lágrima de emoção (ou de vergonha alheia), dar gargalhadas de alegria (ou do ridículo), entretê-lo por alguns minutos, ainda assim, está marcado como ruim por uma boa parte das pessoas que gostam de Cinema e já sabem julgar e separar o regular do medíocre. A seleção top 5 filmes mico do ano não tem a pretensão de depreciar o trabalho dos realizadores, mas deixar claro que sinalizar que o filme é ruim já é o começo de uma crítica construtiva para que novos filmes venham e que não tenham qualquer relação com estes. Se servir de consolo, a vantagem é que haverá outros filmes ruins na seleção de Cinema Internacional, bem ruins.







5 - Qualquer gato vira lata, de Tomás Portella




Baseada em obra de Juca de Oliveira, até que a intenção da comédia é boa. Cleo Pires se esforça com sua beleza e carisma, porém o Qualquer gato vira lata repete os nauseantes e cansativos estereotipos femininos e masculinos na busca do par ideal e seria melhor enquadrá-lo como um produto de TV, não de Cinema. Além disso, ver as caras e bocas de Dudu Azevedo como o fútil gostosão nas paradas de sucesso, como boa parte dos homens desse tipo, é de doer, pois soa artificial como boa parte da atuação do elenco e do texto que lhes é dado.





4 - As mães de Chico Xavier, Glauber Filho e Halder Gomes



Diferente dos longas Chico Xavier e Nosso Lar, esse filme poderia ter sido melhor desenvolvido no roteiro, na edição, na direção e na direção de atores já que a premissa de envolver questões como a maternidade, filhos e perda poderia render uma emoção à flor da alma, mais genuína e incorporada como os planos são filmados e montados, por assim dizer, menos direcionada a comover pelo aspecto comercial de emocionar e muito menos pelo aspecto religioso espírita. Certamente, Chico Xavier merecia filmes melhor produzidos, com fundo de verdade ao contar uma história. Funciona melhor como produto de TV e também panfletagem espírita, mas como Cinema, o seu desenvolvimento é muito vagoroso e abusa de trilha sonora.







3 - Assalto ao Banco Central , de Marcos Paulo



Inspirado no maior roubo ocorrido no Brasil em 2005, esse longa é uma ideia mal desenvolvida que não deu certo e que só confirma que não fazemos filmes policiais como os Americanos, exceto os tops Tropa de Elite 1 e 2, que é um caso de sucesso à parte, muito bem dirigido, montado e atuado. O roteiro de Assalto ao Banco Central é muito precário, acabou que o desenvolvimento dos planos nem deram a importancia devida de um grande roubo, pecam em dar suspense e tensão à trama, além de oferecer aos atores diálogos que não agregam nenhuma profundidade que preparam as cenas da próxima claquete, desperdiçando talentos como Lima Duarte e Giulia Gam.






2 - Cilada.Com, de José Alvarenga Jr



Cilada.com é um exemplo de produto que deve ser suportado pela TV, não pelo Cinema. Ele deveria ter ficado na TV paga, apesar que nem a TV ideal e de qualidade deveria aceitar um roteiro como o aprovado para o filme. Além de apelar para o mau gosto ao extremo com piadinhas chulas e apelações eróticas nada inteligentes, Cilada.Com é definitivamente mais um besteirol tupiniquim, que se traduz como um conjunto de cenas que reforçam a sua mediocridade como Cinema descartavel, apelativo e comercial. Funcionaria como um programa de humor que, a depender do roteiro, certamente nem os bons cinéfilos iriam assistir.









1 - As doze estrelas, de Luiz Alberto Pereira






O problema desse longa já começa no próprio trailer. Ao assistir, o cinéfilo provavelmente dirá: "De onde eles tiraram essa ideia? Que viagem!" A intenção de incluir no roteiro a Astrologia e 12 personagens, 1 para cada signo, não é de todo o mal e soa até como uma forma de pensar "diferente" e conhecer mais esse universo cósmico, mas o desenvolvimento é mal recortado e uma direção de arte tosca e de mau gosto, além de trazer a novela para dentro do Cinema que, honestamente, é uma ideia dispensável. No final, é uma viagem a 12 estrelas que o espectador não verá a hora de voltar.